Corpos femininos negros, natureza e espiritualidade

Conheça as obras da artista plástica carioca Juliana Cavalcanti di Siqueira

Por: Ludmila Barros

Foto: Reprodução Instagram (https://www.instagram.com/xullyanaaa/)

Com um olhar sensível sobre corpos negros femininos considerados fora do “padrão”, a artista plástica Juliana Cavalcanti di Siqueira nos presenteia com belas obras reflexivas que mergulham nas alegrias, emoções, dores e incômodos que fazem parte da vida. Nascida no Rio de Janeiro, mas radicada na Baixada Fluminense, Juliana cria esculturas e pinturas em que elementos da natureza e a espiritualidade também estão presentes. A Maria Querina trocou uma ideia com a artista. Vem conferir!

Maria Querina: Como surgiu o interesse pelas artes plásticas, bem como a valorização de corpos gordos?

Juliana: O interesse surgiu na faculdade. Sou formada em moda, lá tive contato com disciplinas como história da arte, arte contemporânea, estética, semiótica. Passei a me interessar muito pelo assunto. Desenhava, pintava, ilustrava, mas ainda não me via como artista.

Foto: Reprodução site (https://julianacavalcantidisiqueira.com/portfolio/)

Maria Querina: Em que momento da vida você decidiu que queria ser artista?

Juliana: Durante meu processo de terapia. Minha psicóloga usava desenho e pintura como parte do processo terapêutico. Em um determinado momento ela entendeu que o que eu fazia era arte e que eu era artista e queria viver disso.

Maria Querina: O que te inspirou/inspira nesta trajetória artística em que você insere elementos da natureza, a cor dourada e a espiritualidade?

Juliana: Toda obra minha fala de um corpo negro, sobretudo os corpos fora do padrão. Me coloco um pouco ali também. A cor dourada pra mim tem o significado de valorizar, é meu processo de mostrar que existe valor e encantamento nesses corpos tão subjugados. A natureza e a espiritualidade vêm da minha visão de mundo. Acho que a gente também é bicho e também é ser espiritual. Acredito que está tudo ligado e a gente precisa se lembrar disso.

Foto: Reprodução site (https://julianacavalcantidisiqueira.com/portfolio/)

Maria Querina: Durante o processo criativo de suas obras, qual a playlist que está tocando?

Juliana: Normalmente gosto de criar em silêncio, mas quando estou mais animada as vezes coloco samba enredo, funk, ou algo mais calmo como as playlists do Putumayo.

Maria Querina: Qual artista que te inspira ou que você gostaria de conhecer?

Juliana: Amo o trabalho da Rosa Paulino. Chorei pela primeira e única vez em um museu no Mar quando eu vi a exposição dela anos atrás. Também amo o trabalho da Márcia Falcão, descobri o trabalho dela no Instagram e passei acompanhar, mas quando vi gigante na bienal de São Paulo me bateu um encantamento. Fiquei alguns bons minutos sentada na frente admirando. Essas duas artistas retratam o feminino e os sentimentos de formas muito únicas e potentes. Quando eu vejo a obra delas, eu sinto a força, o poder da intenção. A relação delas com a arte me inspira muito e eu adoraria conhecê-las.

Maria Querina: Como a sua arte pode impactar na vida das pessoas?

Juliana: Acho que essa pergunta é mais para o expectador do que para mim. Eu não crio na intenção de impactar a vida de alguém. Crio porque é meu processo de cura de feridas profundas, minha válvula de escape, minha maneira de me colocar no mundo. Agora, se for sobre o meu desejo, eu desejo que as pessoas se sintam tocadas pelo que faço, que se lembrem que é sobre mulheres negras comuns que conduzem o nosso cotidiano, que entendem que ali também existe o belo e o sublime. Desejo que se lembrem da nossa conexão com a natureza ao lembrar que o nosso corpo faz parte dela – e é ela. Desejo que se lembrem da força da nossa conexão ancestral.

Foto: Reprodução Instagram (https://www.instagram.com/xullyanaaa/)

Para conhecer o catálogo das obras de Juliana Cavalcanti di Siqueira, visite a loja online e a rede social da artista plástica. Até a próxima!

Site: https://julianacavalcantidisiqueira.com/

Instagram: https://www.instagram.com/xullyanaaa/

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