Lentes que aproximam pessoas, hobbies e experimentações

Completando 10 anos na fotografia, Juliana Cofe celebra, junto à Maria Querina, os cliques inacreditáveis da vida e amplia o foco que ela mesma está na direção.

Por: Rafaela Lohana

Imagem: Juliana Cofe

Carioca, sua relação com a fotografia surgiu a partir dos álbuns de família e das câmeras fotográficas de sua mãe. O interesse em resgatar memórias — não necessariamente suas — a fez reviver momentos, encontrar pessoas, amigos da família, ideias e um novo tempo.

Juliana tem 27 anos e a profissão, que começou como um hobby, mudou uma “chave na cabeça”, como ela mesma diz. Hoje, colhendo os frutos de uma década de trabalho, acumula indicações, atuou na operação de câmera da 2ª temporada da websérie “Conversas com a Vizinha Faladeira” e dirigiu a montagem do filme “Pedagogias da Navalha”.

Videomaker da Unicirco Marcos Frota, Juliana também trabalhou na produção de conteúdo para o Big Brother Brasil 24 e 25 e é sócia-criadora da Prata Lab, empresa de Fotografia e Audiovisual — uma cara potente de quem ainda é jovem adulto no Brasil.

A Maria Querina trocou uma ideia com a artista. Vem conferir!

Maria Querina: Quando você percebeu que a fotografia não era só um interesse, mas um caminho profissional pra sua vida? Teve algum momento de virada?

Juliana: A minha relação com a fotografia é desde nova, a partir dos álbuns que eu tinha de família, das câmeras da minha mãe. Só que, até então, era só uma forma de resgatar memórias que não necessariamente eram minhas, mas também de reviver os meus momentos, reviver os momentos das pessoas que estavam naquela fotografia, da minha família, de amigos, enfim…

E aí, com o tempo, já chegando na adolescência, no ensino médio, eu comecei a fotografar também pra me conhecer. Passei a compor muitos autorretratos, porque pra mim era uma forma de dizer o que eu estava sentindo. Comecei a fotografar meus amigos também, até pra melhorar o meu repertório, o meu olhar, né? Porque eu tava ali muito acostumada a me fotografar. Fotografar outra pessoa, dirigir uma pessoa, é muito complexo, né?

E aí, só um ano depois, eu decidi de fato trabalhar com fotografia.

Maria Querina: Como nasce um trabalho seu: o que vem primeiro no seu processo criativo — a ideia, o encontro com as pessoas, o território ou a imagem em si?

Juliana: Gosto de fotografar o cotidiano também, mas eu gosto mais de fotografar editoriais. Tanto de moda quanto editoriais, assim. Eu penso em alguma coisa que acho interessante retratar de forma visual e vou lá e monto… Não sei se é meio estranho falar isso, meio lúdico demais, mas é como se acendesse uma luzinha na minha cabeça em um certo momento. Aí vem uma inspiração, uma vontade de fazer alguma coisa.

Tudo que a gente vê, tudo que a gente lê, tudo que a gente assiste, tudo que a gente fala, conversa e vive faz parte do repertório. Até porque a palavra-chave do meu trabalho enquanto fotógrafa é memória, e memória pode ser qualquer coisa.

Então, meu processo criativo funciona dessa maneira: alimentando constantemente o meu repertório através das minhas vivências. Seja o estudo mais acadêmico, como a gente conhece, seja viver mesmo, sabe? Estar disposta a fazer várias coisas.

“Memória pode ser qualquer coisa: memória, registro. Tem um pouco dessa questão do lúdico mesmo, porque é através do meu consciente, do meu subconsciente e do meu inconsciente que eu vou criando o meu trabalho com fotografia.”
Juliana Cofe

Imagem: Juliana Cofe

Maria Querina: Fora da fotografia, quais hobbies te alimentam criativamente e de que forma eles atravessam o seu olhar e o seu trabalho como fotógrafa?

Juliana: Eu sempre fui a criança, a pessoa que gostava de me movimentar, de fazer coisas relacionadas a movimento e arte. Cheguei a fazer algumas aulas de dança, gosto muito de assistir espetáculos e performances. Então, hoje em dia, principalmente por eu estar trabalhando no circo e me tornando uma artista circense, a performance artística do corpo aparece, agora mais do que nunca, como referência nos meus trabalhos.

Eu também gosto de observar as pessoas. Gosto de ver o que elas estão vestindo, de reparar nas expressões. Tipo, na rua, num ônibus lotado, numa praça. Até dates, sabe? Aqueles encontros que acontecem no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), no Rio.

Observar o outro acaba se tornando um hobby pra mim também, que influencia no meu repertório, não só na fotografia, mas em qualquer outra área em que eu venha a trabalhar, e que eu já trabalho.

Imagem: Juliana Cofe

Para conhecer os trabalhos de Juliana Cofe, acesse seu portfólio.
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