Arte e conscientização também estavam no roteiro do evento anual de moda
Por: Samara Pinheiro

Museu de Artes e Ofícios em Belo Horizonte – MG / Imagem:cidadeecultura.com
Como vocês já estão acompanhando por aqui, estivemos presente no Minas Trend, o maior feirão de moda da América Latina, e por lá tivemos uma programação bem diversa, com palestras, desfiles e exibição de novas coleções de roupas por parte de várias marcas. Mas além de todo conteúdo de moda, a conscientização foi outro ponto abordado e nós viemos falar um pouco sobre.
No meio de palestras e aprendizados, tiramos um tempo para visitar o Museu de Artes e Ofícios, localizado na Praça Rui Barbosa, 600 – Centro de Belo Horizonte, que contou com uma exposição chamada “Tecendo a Dor” onde Luciana Hermont confronta a árdua realidade da violência contra a mulher, que infelizmente continua acontecendo em todo o planeta, e precisa ser discutida e combatida.
Segundo dados da Central de Atendimento da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), houve 31.398 denúncias e 166.676 violações envolvendo a violência doméstica contra as mulheres. No mesmo período, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que o Brasil bateu recorde de feminicídio, com 699 casos do crime, ou seja, uma média de quatro mulheres por dia. Esses dados colaboram com a afirmação dos fatos e encaminham a importância de uma exposição como essa.
As obras e imagens não se limitam a um caso específico, mas o que ocorre com muitas mulheres ao redor do mundo, composições que exemplificam episódios de chantagem e dependência emocional, violência doméstica, assédio e assédio no local de trabalho, abusos psicológico, sexual, físico e até patrimonial estão sendo retratados na exposição.
A referência do nome “Tecendo a Dor” tem tudo a ver com a arte da costura (o tecer, os bordados e crochês) e com a ideia de vencer as adversidades. Durante o ato de tecer precisamos dar um passo à frente, enfrentando os desafios como a linha que embolou, um ponto que não ficou no lugar ou um nó que acaba aparecendo no meio da linha, entre outras circunstâncias. Com esses problemas que vão aparecendo, não desistimos de terminar a costura e vamos avançando com criatividade, movendo nossas mãos e nossa essência, e claro, tecendo a história de nossa vida.
A ideia das cores vermelho e preto são decisivas. O vermelho representa o sangue, agressão, raiva e também a coragem e força para continuarmos determinadas. Já o preto demonstra o luto, medo e tristeza. As obras são simples e significativas, são delicadas e constroem uma narrativa tão difícil em algo artístico e alarmante.
A exposição é uma forma de denunciar esse terrível crime e de também tocar todas as mulheres que passaram e ainda passam por qualquer tipo de violência, e percebam sua força interior para se livrarem e superarem esse mal. Luciana, a responsável pela exibição, espera que a representação possa ser educativa aos homens, para que sintam e entendam a gravidade de qualquer tipo de agressão na vida de uma mulher.
E se você estiver por Belo Horizonte, ou é do estado de Minas Gerais, não esqueça de passar pelo museu e conferir as obras. A exposição estará em exibição até o dia 29 de abril!
Exposição “Tecendo a Dor” no Museu de Artes e Ofícios/ Imagem:fiemg.com.br / Samara Pinheiro













Deixe uma resposta