Por: Ludmila Barros

O filme “Back to Black” revive a trajetória intensa da cantora e compositora britânica Amy Winehouse, que morreu precocemente em 23 de julho de 2011, aos 27 anos, vítima de intoxicação por álcool. Entretanto, desde a sua estreia no Brasil em 16 de maio, a cinebiografia vem gerando polêmicas e críticas dos fãs. A obra foi dirigida pela diretora Sam Taylor-Johnson, responsável por “Cinquenta Tons de Cinza” e é estrelada pela atriz inglesa Marisa Abela na pele de Amy.

Parte da desaprovação do público é por conta da superficialidade que Amy Winehouse foi retratada. A película faz um resumo rápido da sua carreira destacando a sua dependência química, além de romantizar a relação com o então marido Blake Fielder-Civil. O mesmo foi responsável por introduzir Amy às drogas pesadas, piorando ainda mais a saúde da artista. Desde a adolescência a cantora sofria com bulimia, assunto que é mencionado muito discretamente no filme e que passa quase imperceptível aos olhos do espectador mais desatento. Já a imagem de Blake parece ter sido suavizada, ao passo que na vida real ele considerava Winehouse sua fonte de renda, a pessoa que sustentava não apenas os vícios, mas também financeiramente. A todo momento ele parece um cara boa praça, enquanto que Amy é a figura problemática e geralmente alcoolizada. Os dois eram um prato cheio para a mídia sensacionalista e os paparazzi, que eram alimentados pelos escândalos que a dupla protagonizava.

Outro ponto importante é a relação da estrela com o seu pai, Mitchell Winehouse. Ele é visto como um protetor e zelador da filha. De fato, ele cuidava de Amy, mas a aproximação com a cantora aconteceu quando ela quando começou ascender na carreira. Vale lembrar que os pais da artista, Mitchell e Janis, se separam quando ela era bem pequena. Apesar da separação ter marcado a sua vida, Amy sempre reverenciou o pai. Mitchell era empresário da filha e estava focado em gerar lucros, até mesmo quando Amy não estava bem fisicamente e mentalmente. Um bom exemplo é o show em Belgrado, na Sérvia, em junho de 2011. A artista não estava em condições de se apresentar, sendo obrigada a estar no palco visivelmente embriagada e sem condições de cantar. O resultado foi a vaia pelo público de aproximadamente 20 mil pessoas e o cancelamento da turnê europeia. Sua mãe, Janis Winehouse, quase não aparece no filme, dando a entender que ambas mantinham uma relação distante. Na verdade, elas eram bem próximas.
Amy Winehouse foi uma pessoa extremamente talentosa, única e intensa que será lembrada por sua voz inconfundível, suas músicas icônicas e por trazer o jazz e o visual vintage para os anos 2000. Penso que “Back to Black” traz a perspectiva do pai da cantora, já que o filme é aprovado por ele. Faltou profundidade e verdade, visto que Amy não pode ser resumida pelos seus vícios e a figura inseparável de Blake. A atuação de Marisa Abela é muito boa, fazendo com que o público reviva o furacão que foi Winehouse. A caracterização da atriz e suas performances musicais entoando clássicos como “Back to Black”, “Stronger than Me” e “Rehab” dá o tom de nostalgia e saudade que a diva deixou no mundo.
“Back to Black” tem mais erros que não irei mencionar, porém se você quiser conhecer a vida e obra de Amy em suas camadas mais intrínsecas, recomendo assistir ao premiado e excelente documentário “Amy”, de 2015, dirigido por Asif Kapadia. Tal obra não foi aprovada pelo pai da cantora, o que já nos revela bastante coisa. O longa está disponível para aluguel na Apple TV.

E você, já assistiu ao filme “Back to Black? O que achou? Conta pra gente e até a próxima!








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